A. W. Tozer expressa isso de forma clara e profunda:
O baixo conceito de Deus mantido quase universalmente entre os cristãos é a causa de uma centena de males menores em toda parte. Uma filosofia de vida cristã inteiramente nova resultou desse único erro básico em nosso pensamento religioso. A perda do sentido de majestade foi acrescida da perda da reve¬rência religiosa e da consciência da presença divina. Perdemos o espírito de adoração e a capacidade de nos recolhermos inti¬mamente, a fim de nos encontrarmos com Deus em silenciosa adoração. O cristianismo moderno simplesmente não está pro¬duzindo o tipo de cristão que possa apreciar ou experimentar a vida no Espírito. As palavras: "Aquieta-vos e sabei que eu sou Deus" significam quase nada para o autoconfiante, afobado adorador desta segunda metade do século vinte. - A. W. Tozer (1897-1963)
Esta perda do conceito da majestade ocorre quando as forças da religião começam a ganhar terreno de maneira dramática e as igrejas tornam-se mais prósperas do que em qualquer outra épo¬ca dos últimos séculos. Mas o aspecto mais alarmante é que nossos lucros são quase todos externos e nossas perdas são in¬teiramente internas; e já que a qualidade da religião é a afetada por condições internas, é provável que nossos supostos lucros sejam apenas perdas distribuídas por um campo mais extenso.
Temos uma forte tendência de criar Deus à nossa imagem, em vez de sermos formados à imagem dele. Se temos dificuldade de abrir nosso coração, enxergamos a ele como alguém que dificilmen¬te abre seu coração conosco. Se nos acostumamos a certos "pecadinhos" prediletos, erros, mentiras e exageros, achamos que ele também é tolerante, nos entende, desce a nosso nível e nos aceita "como somos". Convencemo-nos de que somos bons — e até san¬tos. Se somos perfeccionistas e exigentes, entendemos que ele tam¬bém é assim e vivemos num constante esforço de atingir os critérios absolutos que, sem dúvida, ele deve ter em mente quando olha para nós.
Você tem problemas com Deus? Sente que o poder ou a graça dele não é real em sua vida? Pergunta-se aonde foi parar aquele primeiro amor, a paixão que um dia você sentia? Experimenta tris¬teza e sofrimento e tem dificuldade em entender por que um Deus amoroso permitiria isso? A santidade dele o assusta ou afasta? Per¬cebe que Deus deseja mudanças (em sua vida e a seu redor) que você não tem condição de realizar?
Bem pior do que o incómodo com tais perguntas é não pensar¬mos nesses assuntos. Nosso Deus tornou-se um gatinho domesti¬cado que nos serve bem, nos mantém de forma razoavelmente cómoda em nosso lugar "abençoado". Não é mais o Leão de Judá, imprevisível e perigoso, cujos propósitos são a razão de nossa vida.
Parafraseando Tozer, a raiz de todos os nossos problemas é a difi¬culdade que temos de nos aproximar de Deus de tal forma que nos tornemos mais como ele. Isso atinge especialmente a nós, que somos "crentes velhos". Temos uma tendência a descansar, a nos acomodar a uma relação rotineira e previsível, parecida com a da maioria dos casais velhos. Em algum lugar em nossa caminhada com ele, perde¬mos essa intimidade que nos deixa maravilhados, nos refresca e nos transforma. Talvez tenhamos parado exatamente na glória de outro¬ra, felizes de viver à sombra ou sob o reflexo disso, como foi o caso de Moisés (2Co 3.12-17). Precisamos tirar o véu e, com faces descober¬tas, ser transformados de glória em glória (2Co 3.18).
Como reacender nossa paixão?
Em primeiro lugar, precisamos olhar para Deus, redescobrindo a profundidade do amor dele. Sem o romance sagrado, a graça e o amor ficam mais como doutrina do que realidade. Dos primeiros até os últimos capítulos da Bíblia, encontramos o tema de amor e casamento como uma parábola viva de sua paixão por nós. Nosso tempo de ouvi-lo, tanto na Palavra como no Espírito, precisa tornar-se um tempo de ouvir seus recados de amor.
Precisamos liberar nosso coração para nos expressarmos. Qual é o estado de seu coração? Avalie e peça que Deus compartilhe com você a perspectiva dele como o salmista o fez (SI 139.23,24). Re¬nove sua dedicação de andar de mãos dadas com seu namorado divino. Tome tempo para conversar, abra seu coração com ele e dei¬xe que ele faça o mesmo com você. Isso pode se expressar de forma diária, de forma semanal no dia sabático e de forma periódica num retiro com Deus.
Em segundo lugar, precisamos olhar para nós mesmos e avaliar se temos um verdadeiro alicerce de amor fundamental. Quando somos criados sem amor profundo, aceitação e segurança, ganha¬mos uma espécie de filtro, que dificilmente deixa o positivo pe¬netrar nosso coração. Ao mesmo tempo, permite com facilidade que o negativo entre fundo e se alimente em nós. Floyd McClung Jr. atinge o cerne desses problemas no livro O imensurável amor de Deus. Ele mostra como a relação que temos com nosso pai huma¬no acaba sendo o filtro pelo qual nos relacionamos com nosso Pai celeste. Se tivemos pais falhos, podemos ter sido prejudicados por uma visão falha de Deus — caso não resolvamos as feridas, as tristezas, os medos e as frustrações que experimentamos na rela¬ção com nossos pais (e com outras pessoas importantes em nossa vidas). Precisamos descobrir o caminho da cura emocional e de grupos pequenos, onde podemos experimentar intimidade, acei¬tação e amor.
Em terceiro lugar, precisamos encontrar companheiros de jugo comprometidos a crescerem conosco. Sozinho, ninguém muda sua vida de forma significativa. Precisamos priorizar relacionamentos profundos com pessoas que nos ajudarão e estimularão quanto à nossa relação com Deus.
Perguntas para a reflexão:
1- O que mais impede a sua relação com Deus, dificultando que você seja realmenete apaixonado por Ele?
2- Relacione um ou dois companheiros de jugo com os quais você poderia buscar verdadeiras mudanças e crescimento.
3- Confesse em oração em que ponto sua visão de Deus pode ser distorcida e deixar a desejar, trazendo problemas para sua vida. Não converse, vá direto à oração.
CAJADO
Um cajado é uma vara de pastor, caracteristicamente tendo a extremidade superior recurvada em forma de gancho ou semicírculo. Ele é usado para tocar nas patas das ovelhas de leve para que elas retornem ao seu caminho não se desviando do caminho. Em algumas ocasiões, o cajado podia ser utilizado como arma. A ovelha conhecia o Pastor pelo cheiro do cajado que se apegava a sua mão, sendo assim, ela conhecia o Pastor e o seu cajado.
O cajado tem duas funções principais:Quando segurado pelo lado da curva, serve de vara para corrigir ou castigar as ovelhas que se desviam, e segurando-o pelo lado reto serve para socorrer a ovelha caída em buracos ou precipício, puxando-a pela curva do cajado.
O cajado tem duas funções principais:Quando segurado pelo lado da curva, serve de vara para corrigir ou castigar as ovelhas que se desviam, e segurando-o pelo lado reto serve para socorrer a ovelha caída em buracos ou precipício, puxando-a pela curva do cajado.
terça-feira, 26 de abril de 2011
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